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29/12/2011

Pe. Gabrielle Nanni em entrevista sobre os exorcistas do Vaticano

Recém-chegado de uma grande cerimônia de culto em Portugal, realizada no local do milagre de Fátima, o exorcista Gabriele Nanni está ansioso para falar sobre seu ofício. Nanni é alto, magro, confiante e bonito. Tem uma cabeça grande com cabelos grisalhos e uma barba bem aparada combinando. Está com 46 anos.


Nanni também é bem versado no mundo dos demônios, um homem para quem a piedade e o conhecimento intelectual podem coexistir. Ele pode citar cada capítulo e verso da história de Satanás na Bíblia. Produz documentários e freqüenta o circuito das conferências. E é um astro em eventos como o curso de exorcismo no Regina Apostolorum. Quando os jornalistas têm a entrada franqueada, costumam cercá-lo, disparando os flashes das câmeras em seu rosto e enfiando os microfones.
 

Nanni estudou a lei canônica em uma universidade pontifícia em Roma, tem un doutorado em teologia, trabalhou na Sacra Romana Rota (o mais alto tribunal do Vaticano) e serviu no comitê que estuda se uma pessoa pode ser declarada um santo.
 

Depois de se mudar alguns anos atrás para Modena, uma pequena cidade no norte da Itália, publicou sua tese de doutorado sobre exorcismo. «E a partir daquele instante minha vida mudou’ disse ele, “Estou constantemente em movimento:’
 

Ser muito solicitado significa ter menos tempo para rezar, Nanni tenta limitar sua prática a um pequeno número de casos difíceis, incluindo o de uma mulher de 35 anos, uma contadora com responsabilidades importantes em uma firma comercial, que de repente passou a ter ataques de asma como se fosse sufocar todas as vezes que tentava entrar em uma igreja. Seus problemas surgiram quando ela começou a ter um caso com o chefe, que praticava magia negra, disse Nanni.

«Temos de imaginar uma pessoa possuída como uma cidade sitiada’ disse Nanni. “Em um exorcismo, graças às orações, o espírito maligno enfraquece e afrouxa as garras. É como um polvo segurando um objeto bem apertado, que, quando começa a fraquejar, vai soltando o objeto. Mas depois começa a apertá-lo de novo. É uma açâo persistente até que o polvo é derrotado definitivamente e solta tudo, e então a pessoa sente um alivio completo.”


Nanni está entre os que tendem a personificar o demônio. Diz que os teólogos de hoje cometeram um sério engano ao declarar o demônio extinto, uma idéia que leva os católicos a baixarem a guarda.
 

“O demônio é uma pessoa”, diz Nanni de modo provocativo, desafiando os ensinamentos predominantes na Igreja. “Se nos referimos a uma pessoa como um conceito filosófico, uma entidade, alguém que tem uma identidade, um modo de pensar, uma consciência... Deus é uma pessoa. Três pessoas, na verdade. Um anjo é uma pessoa. O demônio é uma pessoa. Deus é uma pessoa. Seres humanos são pessoas. Só os animais não são considerados pessoas. Isso é importante porque nessa cultura da Nova Era o animal é visto como uma mistura, e isso enfraquece o conceito de pessoa:’
 

Não só é uma pessoa, mas o demônio é também bem ativo. Para firmar seu ponto de vista, Nanni cita a representação de Satanás como uma víbora ou serpente em toda a Bíblia — desde o terceiro capítulo do Gênesis (“Ora, a serpente era mais astuta do que qualquer outra criatura selvagem...”), quando levou Eva a pecar, até o último livro do Novo Testamento, o Apocalipse, quando ele é “a antiga serpente, aquele a quem chamam Diabo e Satanás, o sedutor do mundo inteiro” (Apocalipse 12:9). Recebe assim do evangelista João o título de “o assassino originaI’ “O objetivo do diabo é atingir qualquer um”; diz Nanni. “Seu objetivo não é só estragar a vida do homem na Terra, mas também levá-lo, através do sofrimento, ao desespero e a pecar mortal mente contra Deus. O demônio tem um interesse ordinário e extraordinário em todos os seres humanos.’

 


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