06/01/2012
O caso do crucifixo na Itália e Europa
Em um desdobramento impressionante e totalmente inesperado, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos reverteu em março a sua própria decisão de 2009 e sustentou o direito da Itália de exibir crucifixos em salas de aula públicas.
A decisão significa que as expressões públicas de crença religiosa foram consideradas como não conflitantes com as normas europeias dos direitos humanos e da liberdade de consciência. Embora possa não ter atraído muita atenção nos Estados Unidos, a história tem um significado muito além das fronteiras da Europa. Com relação ao que a tradição cristã fala sobre o que ela chama de “mundo”, sempre houve duas escolas básicas de pensamento.
Uma delas é uma política da “porta aberta”, enfatizando o diálogo com o mundo, presumindo a sua boa vontade e o seu encontro a meio caminho. A outra é um instinto de “fortaleza”, que vê o mundo como fundamentalmente hostil e busca uma Igreja mais voltada para dentro, capaz de permanecer fiel a si mesma. A decisão do Tribunal dos Direitos Humanos forneceu um poderoso impulso para a abordagem da “porta aberta”, sugerindo que a distensão com o secularismo pode ser possível, afinal de contas. A vitória também gerou uma nova força ecumênica e inter-religiosa, por ter atraído o apoio de denominações cristãs diferentes, assim como de muçulmanos e judeus europeus.
Como nota de rodapé, se eu tivesse que propor candidatos para as principais celebridades religiosas do ano, eu nomearia o advogado que venceu o caso do crucifixo – um especialista de Nova York em direito constitucional europeu e judeu ortodoxo chamado Joseph Weiler. A imagem de Weiler de pé na Grande Câmara do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos com a sua kipá, defendendo apaixonadamente o direito da Itália de manter o crucifixo na parede, se encontra entre as partes mais memoráveis do imaginário inter-religioso do ano.
Weiler também passou boa parte de 2011 trabalhando em um novo livro sobre o julgamento de Jesus, que promete causar frisson nas relações católico-judaicas. Entre outras notícias bombásticas, ele vai tentar persuadir os companheiros judeus que seus esforços ao longo de mais de 2.000 anos para rejeitar a acusação de deicídio foram mal empregados. Explicando cuidadosamente, Weiler acredita que “os judeus”, de fato, levaram Jesus à morte e estavam fazendo exatamente o que o Senhor esperava (seu objetivo é oferecer uma leitura do julgamento que torne tanto as respostas judaicas quanto cristãs consistentes com a Escritura – um projeto, admite ele prontamente, destinado a despertar reações ferozes dos dois lados).
Fonte: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/
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