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Água e sal bentos, grandes sacramentais

O QUE SÃO NA REALIDADE OS SACRAMENTAIS?

São sinais sagrados, pelos quais, à imitação dos sacramentos, são significados efeitos principalmente espirituais, que se obtêm pela oração da Igreja. Pelos
sacramentais os homens se dispõem para receber o efeito principal dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da sua vida (CIC 1677).

 

E QUAIS AS GRAÇAS QUE ALCANÇO AO USÁ-LOS?

A liturgia dos sacramentos e dos
sacramentais permite que a graça divina, que promana do mistério pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, do qual recebem a sua eficácia todos os sacramentos e sacramentais, santifique todos os acontecimentos da vida dos fiéis que os recebem com a devida disposição. De tal forma que todo uso honesto de coisas materiais possa ser dirigido à santificação do homem e ao louvor a Deus.

 

OS SACRAMENTAIS NOS LEVAM A MANTER UM CONTÍNUO RELACIONAMENTO COM DEUS

Não podemos comunicar-nos sem nossos sentidos, pois só através deles é que vem todo o nosso conhecimento. Os sacramentais (água benta, sal bento, terços, imagens, cruzes, medalhas e outros) levam-nos a manter um contínuo relacionamento com Deus. Em uma de suas aparições em Medjügorje, Nossa Senhora nos disse: “...tragam objetos bentos com vocês. Coloquem-nos em suas casas e restaurem o uso da água benta.”

 

E PORQUE DEUS ESCOLHEU OS SACRAMENTAIS?

Por serem objetos pequenos. Através deles Deus esmaga o orgulho do maligno. Pois escolheu o que é fraco para confundir os orgulhosos. E, como São Paulo disse que a sabedoria da Cruz é escândalo para os que crêem, igualmente dizemos que os sacramentais são a força de Deus para aqueles que decidem segui-Lo.

 

ALGUNS TRAÇOS CARACTERÍSTICOS DOS SACRAMENTAIS

  • São instituídos pela Igreja em vista da santificação (CIC 1668);
  • Compreendem sempre uma oração acompanhada de determinado sinal como a imposição com água benta (que lembra o batismo). (CIC 1668);
  • Somente a Santa Sé Apostólica pode constituir novos sacramentais, interpretar autenticamente aqueles já reconhecidos, abolir ou modificar alguns deles (Cân 1167);
  • Na realização ou administração dos sacramentais observam-se cuidadosamente os ritos e fórmulas aprovadas pela autoridade da Igreja (Cân 1167 § 2°).
     

FÉ OU SUPESTIÇÃO?

Segundo o dicionário da língua Portuguesa Larousse Cultural, superstição é crença no caráter religioso ou poder sobrenatural de prática, objeto, desvinculada de religião instituída. E existe quando tentamos obter um efeito sem causa proporcional. Por exemplo, pensar que uma ferradura atrás da porta atrairá sorte. O efeito, ou seja, a boa sorte não é proporcional à ferradura. Mas nos sacramentais (água benta, sal bento, terços, imagens, cruzes, medalhas e outros) existe essa proporcionalidade entre causa e feito “porque o poder dos sacramentais vem de Deus através das orações da Igreja e da fé daqueles que os recebem”. Portanto os sacramentais não são amuletos, mas pedidos para Deus agir.

 

OS SACRAMENTAIS E OS SACRAMENTOS

Nos sacramentos (Eucaristia, confissão e outros), Nosso Senhor Jesus Cristo nos cura diretamente. Todos têm o fim de produzir a graça e só secundariamente benefícios temporais.

Os sacramentais, pelo contrário, se institui não para produzir a graça, mas sim, para dispor os homens a receber benefícios temporais e santificar diversas situações da vida. A definição de sacramental ainda inclui-se dois elementos principais: a noção genérica de sinal e a específica de sacralidade. A diferença entre sacramentais e sacramentos está em que estes agem ex opere operato (pela força da própria palavra imediatamente) enquanto os sacramentais obtêm sua eficácia ex opere operantis Eclesiae(por força operante da Igreja) – conforme n° 60 e 61 da Constituição Sacrosanctum-Concílium, do Concílio Vaticano conforme rodapé Código de Direito Canônico 1166. Edição Espanhola.

 

AS DIVERSAS FORMAS DE SACRAMENTAIS

Entre muitos sacramentais que a Igreja nos oferece apresentamos alguns que nos asseguram uma eficácia luta contra o mal e uma constante proteção divina.

 

ÁGUA E SAL: BENTOS OU EXORCIZADOS

Segundo Pe. Gabiele Amorth (exorcista da diocese de Roma e presidente emérito da Associação Internacional dos Exorcistas do Vaticano) em seu livro Um exorcista conta-nos, “a água benta ocupa um lugar fundamental em todos os ritos litúrgicos. A sua importância leva-nos de novo á aspersão batismal. Durante a oração de benção, pede-se ao Senhor para que a aspersão desta água nos traga os três benefícios seguintes: o perdão dos nossos pecados, a defesa contra as ciladas do Maligno e o dom da proteção divina.” E o padre continua:

“A oração de exorcismo da água proporciona outros tantos efeitos: afugentar todo o poder do demônio, desarreigá-los e expulsa-los; também na gíria popular quando se querem indicar duas coisas absolutamente opostas, diz-se que são como o diabo e a água benta. Em seguida a oração continua, sublinhando outros efeitos além de expulsar os demônios: curar doenças, aumentar a graça divina, proteger as casas e todos os locais onde os fiéis moram, de toda a influência imunda causada pelo pestilento satanás. E acrescenta: que as ciladas do demônio infernal sejam vencidas e que a serenidade e a saúde dos habitantes sejam protegidas de toda a eventual presença nociva, susceptível de perigar a paz dos habitantes, a fim de gozarem de serenidade e saúde.”

E sobre o sal exorcizado acrescenta: “serve também para expulsar os demônios e para preservar a saúde da alma e do corpo. Mas uma das suas propriedades específicas consiste em proteger os lugares das influências ou presenças maléficas.”

A água benta pode ser bebida, aspergida nos ambientes ou nas pessoas. E o sal bento pode ser salpicado nos cantos dos ambientes ou usado no preparo de alimentos.

 

INCENSO ABENÇOADO

Conta-se na Bíblia que a Rainha de Sabá chegou a visitar Jerusalém e o Rei Salomão, levando-lhe, entre outros presentes, uma quantidade extraordinária do mais precioso incenso que, naquela época, era vendido num centro de comércio muito importante. De fato, ao longo da história do incenso prosperam povos e reinos míticos, como se lê na Bíblia, no Alcorão e no Livro etíope dos reis.

O incenso fazia parte da composição aromática sagrada destinada unicamente a Deus (Ex 30,34) e se transformou em símbolo de adoração. Em linhas gerais é símbolo de culto prestado a Deus e de Adoração: “Ouçam-me, filhos santos...Como incenso exalem bom odor” (Eclo 39,14). A oferenda do incenso e a oração são intercambiáveis, ambos são sacrifícios apresentados a Deus, como diz o salmo 141, que proclama: “Suba até vós minha oração, como o perfume do incenso”. E é com essas palavras que, na Igreja Oriental, o celebrante ora durante as Vésperas e Laudes matutinas dos dias de festa espalhando em torno de si o perfume do incenso.

Com a oferta do incenso, os magos do Oriente adoraram o menino Jesus como o recém-nascido Salvador do Mundo (Mt. 2,11).

No último livro do Novo Testamento, o Apocalipse, João vê vinte e quatro anciãos que estavam diante do Cordeiro de Deus, com arpas e taças de ouro cheias de incenso: São as orações dos santos (Ap 8,3-4).

E graças à benção propiciada pelo incenso antes de seu uso, ele chega a ser um sacramental (sinal sagrado, que possui certa semelhança com os sacramentos e do qual se obtém efeitos espirituais).

“É um incenso transformado em sacramental, ou seja, abençoado com uma fórmula oficial da Igreja. É usado para se obter vários propósitos, sobretudo para caçar os demônios. Eu uso-o para abençoar as casas. Primeiro abençôo o incenso com a fórmula na qual se invoca o arcanjo Miguel.”
Afirma Pe. Gabriele Amorth em entrevista dada à Ângela Musolesi no livro Experiências de um exorcista.

O uso do incenso representa a oração, que não deve ser ousada e nem covarde e pouco confiante. Deve ser como a fumaça do turíbulo que vai aos céus produzindo perfume, não de forma “ousada”, diretamente, mas descrevendo curvas enquanto sobe confiante, sem parar.

 

ÓLEO ABENÇOADO

“O óleo é sinal de abundância (Dt 11,14) e de alegria (Sl 23,5), ele purifica (unção antes e depois do banho) e torna ágil (unção dos atletas e dos lutadores), é sinal de cura, pois ameniza as contusões e as feridas (Is 1,6; Lc 10,34), e faz irradiar beleza, saúde e força.” (Catecismo da Igreja Católica- § 1293)

No Dicionário da língua portuguesa, unção significa:

1. Ação ou efeito de ungir ou untar, com uma substância oleosa.

2. Sentimento de piedade religiosa.

3. Acentuação penetrante e doce no falar.

 

A unção nos Sacramentos da Igreja

Entre os símbolos sacramentais usados pela Liturgia da Igreja, o óleo simboliza a alegria e o perfume do Espírito Santo em nós. Assim como o óleo penetra no ungido, assim penetra a graça divina naquele que foi ungido sacramentalmente.

A Igreja crê e confessa que existem sete sacramentos: o Batismo, a Confirmação ou Crisma, a Eucaristia, a Penitência, a Unção dos Enfermos, a Ordem e o Matrimônio. Destes, quatro utilizam o óleo para ungir sacramentalmente as pessoas com diversos significados.

No Catecismo da Igreja Católica (CIC) parágrafo 1294, diz assim: Todos esses significados da unção com óleo voltam a encontrar-se na vida sacramental. A unção, antes do Batismo, com o óleo dos catecúmenos significa purificação e fortalecimento; a unção dos enfermos exprime a cura e o reconforto. A unção com o santo crisma depois do Batismo, na Confirmação e na Ordenação, é o sinal de uma consagração. Pela Confirmação, os cristãos, isto é, os que são ungidos, participam mais intensamente da missão de Jesus e da plenitude do Espírito Santo, de que Jesus é cumulado, a fim de que toda a vida deles exale "o bom odor de Cristo"

Assim a Liturgia da Igreja privilegia esses três óleos, chamando-os de "Santos Óleos": Óleo dos enfermos, Óleo dos catecúmenos e Óleo do Santo Crisma. Os dois primeiros Santos Óleos são abençoados e o terceiro, o Óleo Crismal, é consagrado na missa crismal que o Bispo celebra com todo o seu presbitério na 5ª feira santa pela manhã.

O Óleo dos Catecúmenos concede a força do Espírito Santo aqueles que serão batizados para que possam ser lutadores de Deus, ao lado de Cristo, contra o Espírito do mal.

O Óleo dos Enfermos que é um sinal sensível utilizado pelo sacramento da Unção dos Enfermos, que traz o conforto e a força do Espírito Santo para o doente no momento de seu sofrimento. O doente é ungido na fronte e na palma das mãos pelo Sacerdote.

O Santo Crisma
é um óleo perfumado utilizado nas unções consacratórias dos seguintes sacramentos: depois da imersão nas águas do batismo, o batizado é ungido na fronte; na Confirmação é o símbolo principal da consagração, também na fronte; depois da Ordenação Episcopal, sobre a cabeça do novo bispo; depois da ordenação sacerdotal, na palma das mãos do néo-sacerdote. Também é usado em outros ritos consacratórios, como na dedicação de uma Igreja, na consagração de um altar, quando o Santo Crisma é espalhado sobre o altar e sobre as cruzes de consagração que são colocadas nas paredes laterais das igrejas dedicadas (consagradas).

Em todos estes casos, o Santo Crisma recorda a vinda do Espírito Santo que penetra as pessoas como o óleo impregna a cada um deles que o toca. Ele faz com que pessoas sejam ungidas com a unção real, sacerdotal e profética de Jesus Cristo.

 

A unção Espiritual

Como nasceu essa idéia de unção não como Sacramento? Voltando no significado da palavra unção enquanto “sentimento de piedade religiosa”.

Um passo importante foi dado por Santo Agostinho. Ele interpreta o texto da primeira Carta de João: “Quanto a vós, a unção que recebestes de Jesus permanece convosco...” (1 Jo 2, 27), no sentido de uma unção perene, por meio da qual o Espírito Santo, professor interior, permite-nos compreender interiormente aquilo que ouvimos de fora. É atribuída a ele a expressão “unção espiritual”, spiritalis unctio, que consta no hino Veni Creator. São Gregório Magno ajudou, entre muitas outras coisas, a popularizar, ao longo da Idade Média, esse ponto de vista agostiniano. Uma nova fase no desenvolvimento do tema da unção se iniciou com São Bernardo e São Boaventura. Com eles, se define o novo sentido, de caráter espiritual, da unção, já não tanto relacionado ao tema do conhecimento da verdade, mas sobre a experiência da realidade divina. Comentando o Cântico dos Cânticos, São Bernardo diz: "um tal cântico, só a unção ensina, só a experiência nos faz compreender". São Boaventura identifica a unção com a devoção, concebida por ele como "um suave sentimento de amor a Deus despertado pela lembrança das bênçãos de Cristo". Esta não depende da natureza ou do conhecimento, nem das palavras ou dos livros, mas "do dom de Deus que é o Espírito Santo".

O Dicionário da Língua Portuguesa nos fala ainda da palavra unção como ação ou efeito de ungir ou untar, com uma substância oleosa. Assim, ao utilizarmos um óleo bento estamos ungindo ou untando alguém com uma substância oleosa e também contamos com a unção espiritual, pois se crermos, “a unção que recebemos de Jesus permanece convosco...” (1 Jo 2, 27)

Aqui não se trata de uma Unção dos Enfermos (Sacramento que somente os bispos e sacerdotes podem conferir - Tg 5,14-15. Até mesmo os diáconos não podem administrar este sacramento e tanto menos um leigo). Se trata sim da utilização de um óleo abençoado (um sacramental) que tem a função conferida pela Igreja de santificar as diversas circunstâncias da nossa vida. Como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica no parágrafo 1667, que diz: “Pelos sacramentais os homens se dispõem a receber o efeito principal dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da vida”.

Se a unção se dá pela presença do Espírito, sendo um dom dele proveniente, o que podemos fazer para obtê-la? Antes de mais nada, orar. Há uma promessa explícita de Jesus: "Pai do céu dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem!" (Lucas 11:13). Cumpre pois, também a nós, quebrar o vaso de alabastro, como a pecadora na casa de Simão. O vaso é o nosso eu, e talvez nosso intelectualismo árido. Quebrá-lo significa renunciar a nós mesmos, ceder a Deus, com um ato explícito, as rédeas de nossa vida. Deus não pode doar Seu Espírito a quem não se doa inteiramente a Ele.

 

Palavras de Pe. Gabriele Amorth quanto ao uso do óleo exorcizado

O óleo exorcizado, utilizado com fé, permite igualmente enfraquecer o poder dos demônios, os seus ataques e os fantasmas que suscitam. Recupera também a saúde da alma e do corpo; lembremos simplesmente o antigo costume de ungir as feridas com óleo e o poder que Jesus conferiu aos Apóstolos de curar os doentes pela imposição das mãos e a unção com óleo.

O óleo exorcizado tem, além disso, a propriedade específica de libertar o corpo do malefício.”

 

Dicas de uso do Óleo Bento

Fazer o sinal da cruz com o óleo bento na fronte
em honra a coroação de espinhos de Jesus; ungir a mão direita em honra a chaga da mão direita de Jesus, ungir a mão esquerda em honra a chaga da mão esquerda de Jesus, ungir o pé direito e pé esquerdo em honra as chagas dos pés de Jesus; e ungir o coração em honra a chaga do Sagrado Coração de Jesus, que foi barbaramente transpassado, esmagado por causa dos nossos pecados e de onde saiu o Sangue da Redenção e a Água da Purificação.

 

Fonte

  • Amorth, Gabriele. Um exorcista conta-nos. Ed. Paulinas. São Paulo, 1998
  • Catecismo da Igreja Católica. Ed. Vozes. Rio de Janeiro, 1993
  • Centro Rússia Ecumênica. Caderno Monástico, 132 (2000) 53-59, Roma – Itália / Tradução: uma oblata do Mosteiro da Transfiguração – Mosteiro da Transfiguração
  • Código de Direito Canônico. Ed Loyola. São Paulo, 1983
  • Curso de Liturgia Romana Tomo II de Dom António Coelho, O.S.B.

 


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